CARTÃO DE CRÉDITO, O AMIGO INIMIGO

Publicado por em 15 de maio de 2017

CARTAO

O cartão de crédito, de alguns anos para cá, se tornou amigo inseparável. Substituiu quase por completo bom e antigo amigo cheque. Na verdade, o cheque era muito mais amigo do camarada “pessoa física” do que da “pessoa jurídica”. Virou vilão por ter um clone bastante conhecido e odiado dos comerciantes: o sem fundo. Para criar este clone não é necessária nenhuma parafernália sofisticada: basta preencher uma folha de cheque “bom” com um valor que não existe no banco. Está feita a mágica!

O cheque bom, seu parente honesto, tornou-se uma “persona non grata”. Tornou-se o inimigo número 1 do comércio. Taxado de criminoso, ainda pode ser aceito pois existe a famosa consulta do cheque, o que garante, mais ou menos, o seu título de honesto.

Aos poucos, foi surgindo o “dinheiro de plástico” que transformou de vez o cheque extinto no mercado. O cartão é um ótimo parceiro tanto do consumidor quanto do comerciante.

Para o consumidor é o amigo ideal: paga-se uma anuidade, não pesa no bolso, todo mundo aceita, basta saber uma senha e está na moda: é virtual. Nem precisa abrir a carteira física para ver se tem “grana” lá dentro. O próprio cartão avisa se sua carteira virtual está sem limite e impede de gastar mais. Quer coisa melhor?

Mas em 30 dias, terá que comparecer com o dinheiro físico para quitar a famosa fatura do cartão. Aí mora o perigo: nessa hora a carteira física tem que estar recheada. Caso não esteja, em cada atraso, a carteira fica cada vez mais furada. O furo aumenta segundo uma taxa louca que a administradora de cartão informa. E ninguém sabe como se chega a esse valor.

Já o comerciante não precisa se preocupar. Receberá o valor da sua venda! Basta o cliente saber a senha e a maquininha aceitar o cartão. Em 30 dias cairá na sua conta bancária. Mas, como nada é perfeito, o que cairá na conta não é o valor total da venda. O cartão de crédito cobra a “taxa de administração da operadora de cartão” que, em média, fica perto dos 5%. Até aí tudo bem. Ronaldo já diz: A regra é clara! Se vendeu R$ 10,00, receberá R$ 9,50.

Mas o comerciante tem contas a pagar e a sua venda de cartão só vai entrar em 30 dias após a venda. E a conta a ser paga vence agora. E o dinheiro está lá, preso. Que problemão! Mas a solução é simples. Basta solicitar ao cartão a “antecipação do recebível”. Tem até nome bonito. O feio é quando a antecipação cai na conta do comerciante. Os mesmos R$ 10,00, na versão antecipada, viram R$ 9,22. Um desconto que antes era 5%, virou 7,75%.

“Mas a administradora de cartão me disse que era 3% ao mês para antecipar!”, reclama assustado o comerciante. E eu respondo: “Mas foi mesmo 3% ao mês para antecipar!”. O que o comerciante esquece ou nem se atenta é que esses 3% são calculados em conjunto com os 5%. E para piorar e enrolar a cabeça do pobre comerciante: o cálculo é com juros compostos.

Nessa confusão de números, percentuais e valores, ganha quem sabe matemática. E como matemática nunca foi o forte de muita gente… Caso tivessem nos avisado que conta com percentual nos ajudaria um dia! No mínimo, a gente teria se esforçado mais nas aulas de matemática. Principalmente os atuais empresários. mairom.duarte@csalgueiro.com.br.

* Mairom Duarte é Consultor em Gestão de Negócios e atua há mais de 25 anos em Consultoria de Gestão Empresarial.

 

SERVIÇO

MAIROM DUARTE

Mairom Duarte é Petropolitano. Atualmente é Diretor da COSTA SALGUEIRO Consultoria, onde é associado desde 2000, empresa também de Petrópolis. É Engenheiro Eletricista pela UFRJ (1983). Possui larga experiência em Consultoria Empresarial, tendo trabalhado por 14 anos na Accenture Consulting e 3 anos na Ernst & Young Consulting. É especialista em gestão de negócios, participando e coordenando projetos de reestruturação empresarial e implantação de sistemas de gestão integrada em empresas de grande porte como Petrobras, Votorantin, Jornal do Brasil, Vivo, Light, Coelba, Braspetro Colômbia, Karsten, CPFL, Grupo Industrial João Santos, Cimento Mauá, Braskem, entre outros.

Em Petrópolis a Costa Salgueiro deixa sua marca em diversas empresas da cidade tais como Vassouras Rossi, Telas São Jorge, CTO – Centro de Terapia Oncológica, Grupo Tribuna de Petrópolis entre outras.



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