Trabalhamos e não recebemos salário

Publicado por em 20 de março de 2017

Mairom Duarte - Foto Érica Marci & Júnior (12)

Sempre tentamos aumentar ganhos ou reduzir despesas para que sobre mais dinheiro, não é verdade? O objetivo é aumentar o lucro mensal, é o que as empresas fazem. E há diversas formas de fazer isso: trabalhar mais, aplicar o dinheiro, comprar produtos e serviços mais baratos, cortar gastos e etc.

Mas existe uma estratégia que não usamos para diminuir custos: nós, pessoas físicas, não colocamos pessoas para trabalharem de graça pra gente. Coisa que as empresas fazem e não percebemos.

Isso não é trabalho escravo. É uma estratégia utilizada para cortar custos e, portanto, aumentar a lucratividade. Sabem do que estou falando? A ficha caiu e você já percebeu que trabalha para eles e não é pago? Não? Vou ajudar.

Alguns empregos não existem mais, pois fazemos atualmente essas tarefas. Veja o famoso “office boy” que até já teve música do Kid Vinil. Hoje as transações bancárias podem todas ser feitas via computador. E isso causa uma reação em cadeia, beneficiando as empresas em geral e, em especial, os bancos, para os quais trabalhamos de graça. Veja se não faz sentido! Com a falta da necessidade do “boy”, todas as empresas diminuem custos. Agora nós mesmos fazemos as transações bancárias e menos pessoas vão aos bancos.

E quando vamos ao supermercado e embalamos nossas compras? Estamos trabalhando como empacotadores não remunerados.

E por aí vai. Mas vai a pergunta: essa redução de custo associado é repassada? Pode ser que sim e pode ser que não. O volume de pessoas comuns que começam a fazer essas atividades é muito grande. Se dividirmos o valor economizado por essas empresas pelas pessoas que agora trabalham de graça, resulta em uma “merreca” per capita, tão pequena que a gente nem nota. Mas para as empresas isso faz muita diferença, pois a conta é inversa.

Mas existem atividades que as empresas repassam para terceiros onde cai a qualidade.

Um exemplo disso é o que uma operadora de saúde está fazendo ao transferir para o médico e sua atendente a responsabilidade de autorizar os exames que o mesmo prescreve. A operadora reduz, logicamente, a quantidade de pessoas que antes faziam essa atividade. Mas em contrapartida, a secretária do médico não foi treinada convenientemente para isso, a quantidade de tarefas dela foi aumentada e, por consequência, ela deixa de dar atenção aos pacientes, às filas aumentam e os pacientes ficam chateados. E o médico continua recebendo o mesmo valor da operadora e não pode se dar ao luxo de contratar mais gente.

Nesse caso e em muitos outros, o poder das corporações influi diretamente na nossa vida e só há um ganhador: a corporação que diminuiu seus custos e perturbou todo um processo que funcionava bem.

Percebeu como você é usado e nem sabe? Use sua criatividade e procure aplicar esse conceito que as empresas usam no seu dia-a-dia. Mas com cuidado. Não cause transtornos no entorno de sua vida. Use sua consciência, coisa que as corporações muitas vezes não usam. mairom.duarte@csalgueiro.com.br.

* Mairom Duarte é Consultor em Gestão de Negócios e atua há mais de 25 anos em Consultoria de Gestão Empresarial.



Comentários Fechados